Considerado um dos últimos redutos caiçaras do Brasil, o litoral sul do município de Paraty, além das suas belezas naturais, mantém ali um dos poucos abrigos dessa etnia que vem desafiando o tempo para a sua manutenção.
A região narradas em meados do século XVI, por Hans Staden, era originalmente território dos índios Tupinambás, que sofreram, como toda a costa brasileira, com a pirataria européia, tendo na mistura dessas duas raças o nascimento de um povo na costa brasileira: o caiçara.
Por séculos intermináveis, esse povo, manteve-se longe das áreas urbanizadas e muitas ainda perpetuam esta característica o que garante até hoje sua integridade cultural.
Na década de 1970 o corte da Mata Atlântica traz a rodovia federal a Paraty, e sua geografia – quase como uma península – fez com que o recorte da Rio-Santos fugisse do litoral, preservando as comunidades em questão. Assim as comunidades foram resistindo ao progresso trazido pela estrada. Mero engano, já que ações especulativas muito anterior a construção da Rio-Santos geraram grilagem das terras. Sono, Trindade, Laranjeiras, Antigos, entre outras, passaram por todos os problemas que são conhecidos quando se trata de especulação imobiliária: despejos, desintegração familiar, rompimento da economia local, desagregação comunitária, etc., além das consequências negativas previstas para o perímetro urbano de Paraty, já que com o êxodo da região, os caiçaras instalaram-se na periferia da cidade sem infra-estrutura para recebê-los, gerando subemprego e desemprego.
Os caiçaras que resistiram e permaneceram na região, até por volta do início da década de 1980, contribuíram significativamente para que aquela região fosse considerada a maior área produtora de pescado do município, alem da banana, farinha e as roças de subsistência, o que ajudou e favoreceu o equilíbrio econômico do município.
Com a decadência da pesca, outro fator contribuiu para o empobrecimento desse povo. Fixado numa área nobre, de 80 a 90, a região ganha diversos títulos de reservas e APA (área de preservação ambiental), as quais se notabilizam pelo fato inédito de respeitar e se manter o homem como peça fundamental do processo preservacionista, entretanto, ações tecnocratas acabaram por coibir ainda mais a fixação do caiçara em sua terra, impedindo-o de criar alternativas que melhorasse sua condição de vida.
Impulsionado pelo modismo pós-ECO/92, a região começou a ser descoberta como destino para o eco-turismo.
Nessa fase, temos que considerar dois pontos de vistas: enquanto o peixe, elemento básico da economia e da subsistência local encontra-se cada vez mais escasso, e os diversos tombamentos impedem a agricultura de sobrevivência, bem como a extração dos recursos naturais, para a utilização de artesanato utilitário, o volume de turistas atraídos para conhecer o modo de vida desse povo e as belezas naturais da região é cada vez maior. Assim nada mais justo e claro do que demonstrar a necessidade para as populações costeira do seu potencial cultural, que se tornará um novo mercado de trabalho no momento em que elas perceberem que a cultura é um forte atrativo comercial e o mais importante neste conceito, de incrementar a economia local e qualificar e ordenar o turismo é a recuperação e o resgate da cultura caiçara.